quinta-feira, 25 de agosto de 2011

A verdade vem sempre ao de cima # 10

Mas a promessa não foi cumprida, uma vez mais. Aquilo que tinha começado numa pequena experiência, acabara por se tornar um hábito. Filipa e aqueles que lhe eram próximos tentaram de tudo para lhe fazer quão mau era o caminho por onde se estava a meter. Quico não deu ouvidos a ninguém. Certo dia, Filipa não aguentou mais.
- Será que não vês ? Será que não percebes como te estás a destruir ? Estás viciado nessa merda! Qualquer dia  começas a traficar, ou a roubar para comprar porque os teus pais não te vão alimentar esse vicio, sabes bem!A tua mãe está desesperada, o teu pai nem sei como não  E foda-se, eu não estou para isto! Já me desiludiste tanto! Não te quero ver a destruir-te assim dia após dia. Para mim chega.
E ele nada disse. Ela foi para casa chorar como era já hábito de todas as vezes que o deixava. Dias depois chegou a noticia de que ele tinha sido detido por posse e tráfico de estupefacientes. Mais uma desilusão. E desde esse dia nunca mais quis saber do Quico, esse infeliz que lhe havia ficado com o coração.




terça-feira, 2 de agosto de 2011

A verdade vem sempre ao de cima # 9

Depois de uma semana em romance, Filipa voltou a casa.
Os dois voltaram a encontrar-se numa festa lá da zona, mas inesperadamente. Quico estava demasiado alegre.
- Princesaa! Estás cá ? Que fixe!
- Eu mandei mensagem.
- Eish, pois foi. - disse, pegando no telemóvel. - Não tinha visto, desculpa.
- Que andaste a fazer ?
- Ahm ?
- Estás todo alegre, e esses olhos estão tão vermelhos. Andaste a fumar Quico ?
- Achas princesa ? Eu não me meto nessas cenas, sabes bem.
Filipa não acreditou. Os amigos que estavam com o rapaz soltaram um riso acusador.
- Não me gozes, nota-se à distancia.
- Vá, foi só um, princesa.
- Não me chames princesa, sabes perfeitamente que eu não gosto que te metas nessa merda.
- Foi só um, juro.

Para evitar a discussão Filipa deixou-o e foi ter com as amigas. Passou a noite com elas e no dia seguinte não lhe disse nada. Quando acordou, Quico apercebeu-se que tinha feito asneira e ligou à namorada. Pediu desculpa, assumiu o erro e prometeu que não ia voltar a fazer.

terça-feira, 26 de julho de 2011

A verdade vem sempre ao de cima # 8

Filipa acabou mesmo por ir. Na ultima semana de Agosto, quando as coisas pelo restaurante já estavam mais calmas, Filipa foi passar uns dias com o namorado. Nas horas das refeições trabalhavam no restaurante, depois aproveitavam o resto do tempo com pequenas coisas. Ambos estavam muito felizes, notava-se o brilho nos olhos. Certa noite, Quico estava a ver um jogo de futebol com o pai enquanto Filipa e a mãe do rapaz arrumavam a cozinha.
- Sabes ? Gosto de ti. És uma boa menina e fazes tão bem ao meu menino!
- Oh, não diga isso!
- Ora, é verdade. Ele tem andando tão mais calmo.
- Oh ele anda cansado, é normal que não saia como dantes.
- Não. Ele antes mesmo quando estava cansado, saia, nunca tinha hora de voltar, sempre foi muito livre e para dizer a verdade, eu e o pai dele deixamos isso acontecer, nunca tivemos muita mão nele. No tempo de aulas, ele saia igual, nunca dizia nada. Agora não, está mais calmo, está bem. Sinto-o. Ainda antes do acidente, voltou a estar assim! Aquela champinhie deu-lhe a volta ao miolo. Era louca. Mas ele não gostava dela. O ano passado ainda lhe achava piada, este ano nem sei como a namorou. Via-o triste quando estavam juntos, ela fazia dele gato sapato, e ele arrastava-se.
- O Quico é um bom rapaz, D.Rosa. Gosta de se fazer de mau e ser o maior cá da aldeia, mas no fundo é um doce.
- E foste tu que despertaste essa doçura, nele!
- Oh, não diga isso.
- É verdade. Acredita no que te digo, rapariga.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

A verdade vem sempre ao de cima # 7

- Estás tão cansado, Quico. Vai descansar.
- Já vou, pequena, já vou. 
- Precisas de descansar. 
- Oh, tem havido imensa gente lá no restaurante. É complicado.
- Têm que arranjar mais gente.
- Pois, só que aqui por estranho que pareça não há ninguém.
- Aii, se pagares bem vou eu para lá.
- Ahahah, claro que pago. Só que assim o meu rendimento ia diminuir bastante.
- Então porquê ?
- Ora, porque ia estar muito concentrado em ti e depois coise.
- Oh, não digas isso.
- É verdade! Mas agora a falar a sério, gostava muito que viesses cá passar uns dias ou assim ... Era tão fiche ! - disse entusiasmado.

O convite ficou feito e Filipa disse que ia pensar e falar com os pais e depois viam disso.



domingo, 10 de julho de 2011

A verdade vem sempre ao de cima # 6

Saíram do hospital e entraram num pequeno café que havia ali perto. O dia estava já a aclarar. 
- Já ligaste aos teus pais ?
- Não. Não queria alarmá-los. Eu estou bem e a minha mãe ia logo ficar com o coração nas mãos. 
- Sim, mas não foste dormir a casa, devias ligar-lhe. 
- Ainda é cedo, eles ainda devem estar a dormir. Quando acabarmos de comer já lhes ligo para nos virem buscar. E tu ? Os teus pais devem estar aflitos... 
- Eu falei com a minha mãe quando estavas lá nos exames. Já estava aflita, coitada. Mas ela percebeu. 
- Só faço asneiras... - disse, baixando o olhar. 
- Já passou, o que importa é que estás bem. 
- Sim, mas não é isso. Arrastei-te práqui assim... 
- Não sejas tolo, eu vim porque quis! Agora explica-me, o que é que aconteceu ontem que eu ainda não percebi muito bem. 
- Ontem quando saí da festa fui deixar a Melanie a casa, eu estava frio, distante, não lhe liguei nenhuma e ela fez uma cena. Deixei-a a falar sozinha. Estava passado. Não me saias da cabeça. Perguntava a mim mesmo como podia ter sido tão estúpido, tão cobarde. Sabia que te tinha magoado. A maneira como falaste comigo, como me olhaste com desdém... Meti-me no carro e ia para casa, sempre a acelerar bué. Aquela curva é perigosa, ainda por cima tem areia e pronto, lá fui eu. Pensei que ia morrer ou sei lá. Bati com a cabeça no volante várias vezes. O carro parou e eu pensei «estou vivo! sobrevivi!» Não sei muito bem como consegui sair do carro e foi então que te liguei. Pensei que não ias atender. 
- Na verdade, atendi sem querer. 
- Eu calculei, mas ainda bem que isso aconteceu, ainda bem que me deste a oportunidade, mesmo sendo sem quereres. 

sexta-feira, 8 de julho de 2011

a verdade vem sempre ao de cima # 5



Pouco depois de Quico ter abandonado a festa, Filipa recebeu uma chamada no telemóvel.
- Mas o que é que este quer agora ?! - disse, entre dentes. - estou ?
- Tive um acidente, vem ter comigo, por favor. - disse do outro lado, uma voz desesperada.
- O quê ?! Tu estás bem ? Onde é que estás ? - exclamou em aflição.
- Eu estou bem, só tenho uns arranhões, o carro é que tá pior. Preciso de ti, por favor.
- Eu vou, eu vou. Diz-me onde estás!
- Eu nem sei bem onde estou. Estou algures pela estrada quando se vai para minha casa. Diz ao André, ele sabe.
- Ok, ok. Eu vou ai. Tem calma.

- André! André, podes conduzir não podes ?
- O que se passa ? Que cara de preocupada é essa ?
- André, vem, por favor. Preciso que me leves, o Quico teve um acidente!
- O Quico o quê ? Ele tá bem ? Vamos lá!

Sem avisar ninguém saíram os dois. Filipa contou a André o sucedido e rapidamente chegaram ao local. avistaram o carro, com grandes danos, num terreno à beira da estrada. Quico estava sentado na berma da estrada, a chorar.
- Oh meu Deus!
- Puto, tás bem ? - perguntou André.
Filipa correu a abraçar o rapaz. Naquele momento toda a raiva que lhe tinha parecia ter desaparecido. Estava apenas preocupada.
- Estás bem ? Chamaste a policia , o INEM ?
- Não, eu estou bem. Só me dói o joelho e tenho uns arranhões e umas feridas.
- André podes chamar o INEM ?
- Sim, claro!
- Não é preciso, fi. Eu estou bem, tu estás aqui, eu estou bem. - disse, envolvendo-a com os braços. - Fui tão porco contigo. Tu mereces tanto mais e eu fui tão cabrão!
- Deixa isso agora... O que importa é que estás bem.
- Não! Eu preciso de te dizer isto. Eu gosto mesmo de ti, tu és uma rapariga fantástica! Estares aqui comigo só prova isso mesmo, eu fui um cobarde, um porco, um cabrão, mas mesmo assim tu vieste. Desculpa! Desculpa.
- Eu não esperava aquilo que fizeste, custou-me muito, magoaste-me. Mas, assim que me disseste que tinhas tido um acidente, eu quis imediatamente vir ver de ti. Eu continuo a gostar de ti, talvez ainda mais do que antes, e saber que podias estar em perigo assustou-me. Já não sinto raiva sequer.
- Eu sei que não me adianta de nada estar agora com desculpas, mas a sério, perdoa-me.

Entretanto chegou a ambulância. Depois de se despedirem e agradecerem a André, Quico e Filipa entraram na ambulância que os levou ao hospital onde confirmaram que Quico estava bem

A verdade vem sempre ao de cima # 4



Os dias tornaram-se difíceis e as noites dolorosas. Isolava-se no seu sossego na tentativa de restabelecer forças, de ultrapassar toda aquela dor e mágoa. Até que um dia, encarou o seu rosto triste no espelho e disse a si mesma: 
- Não. Isto não pode continuar assim. Foste tão cobarde que não mereces uma lágrima sequer e eu já chorei rios. Chega. 
Pegou no telemóvel, procurou o numero e ligou. 
- Estou, André? (...) Era para dizer que sempre vou aos teus anos. 
- A sério ? Óptimo! 

E assim foi, na sexta feira à noite, vestiu o vestido que lhe realçava o corpo e que Quico tanto gostava de lhe ver, calçou os seus saltos e arranjou-se. Não para ninguém em especial, não para provar nada a ninguém, simplesmente por ela. André foi buscá-la a casa como combinado. 
Como estava com o aniversariante foi das primeiras a chegar. Os restantes convidados foram chegando, praticamente todos se conheciam, e o ambiente estava agradável. Quico chegou já um pouco atrasado. Assim que chegou, Melanie, a dita rapariga francesa, correu para lhe dar um abraço e um beijo bem prolongado. Filipa não conseguiu evitar lançar um olhar de desdém à cena ultra-romântica. 
Durante a noite, Quico estava focado em Filipa, que aparentemente se estava a divertir imenso com os amigos. Melanie não achou piada à situação e não largou o rapaz, mas este escapou-se e conseguiu chegar perto de Filipa num momento em que esta se encontrava sozinha. 
- Podemos falar ?
- Vens um bocado tarde, não ?
- Eu sei, eu sei. 
- Ah, estás aqui, amorr! 
- Eu já ia ter contigo, Mel. 
- Eu sei, mas sabes que não gosto de ficarr sem ti! 
- Pois é, Francisco, deixaste a menina sozinha, achas bem ? Ai, ai. - disse com sarcasmo, afastando-se do casalinho. 

- Olha, Melanie, eu estou cansado, vou para casa. Queres que te leve ou ainda ficas ?
- Oh já vais ? Fica mais um pouquinho! 
- Não, estou exausto, a sério. 
- Ohh, eu vou contigo então. 

Despediram-se de André e saíram da festa. 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

A verdade vem sempre ao de cima # 3



Mas separados as coisas corriam bem mal. Quico cada vez dava menos atenção a Filipa e esta desesperava. A saudade corroía-a, o seu olhar tornara-se triste. Ela tentava disfarçar, mas os que a conheciam melhor notavam. Os pais insistiam em perguntar o que se passava, ela dizia vezes sem conta que não era nada. Ela própria queria acreditar que não era.
Um dia, Quico deixou de dizer o que quer que fosse. Um dia passou, e outro e outro e ainda outro e ele não tinha dito nada. Ingenuamente Filipa ficou preocupada pensando que se passaria alguma coisa. Enviou-lhe várias mensagens, telefonou para o telemóvel, mas nada... Lembrou-se então de perguntar a amigos que tinham em comum... 
- Oh Fii! Ia mesmo ligar-te um dia destes! Então estás boa, rapariga ? 
- Olá, André! Eu estou e tu ? 
- Também! Então diz-me...
- Ahm... queria perguntar-te se tens estado com o Quico ? 
- O Quico ? Sim, sim! Ainda ontem estive com ele. - hesitou. - Porquê ? 
- Então mas ele não tem saldo, alguma coisa do género ?
- Ai, não sei... 
- Estou preocupada com ele, já há uma semana que não me diz nada. 
- Pois, ele ontem estava um bocado entretido...
- Entretido ? Como assim ?
- O quê ? Tu ainda não sabes ? 
- Ainda não sei ? Ainda não sei, o quê, André ? 
- Opss , acho que já fiz asneira!
- Conta-me
- Oh miúda.
- Eu aguento.
- Mas afinal o que é que havia entre vocês ?
- Havia qualquer coisa, sei lá. Estávamos bem um com o outro. Não namorávamos, mas era naquela.
- Hmm, então ao que parece ele agora tem namorada...
- O que ?! A sério ? - disse, em choque.
- Opá, eu não sei muito bem, mas se não são parecem... Não sei se gostam um do outro ou como é, mas ontem à noite aquilo estava quente entre os dois..
- Quente ?
- Marmelanço em grau avançado....
- Ah, ok.
- Oh miúda, desculpa, eu pensava que sabias.
- Ele pura e simplesmente desapareceu. Foi só isso. Ele é que sabe. - disse numa voz tremida.
- Tem calma...
- Oh, André.
- Olha, anima-te! Como te disse estava para te ligar. Daqui a uma semana e meia faço anos, e vou festejar. E adivinha ? Tu vens!
- Não sei se vou.
- Vens, vens!
- Vou pensar, depois digo-te, pode ser ?
- Está bem, mas estou a contar contigo e olha vou buscar-te e levar-te se ainda estiver em condições!
- Ele vai ?
- Oh, ele é meu amigo... Convidei-o também. Eu não sabia dessas cenas entre vocês.
- Sim, claro. Que parva. Mas olha, quem é a gaja ?
- É uma pinhie aqui da minha aldeia... Acho que já o ano passado tinha rolado qualquer coisa entre eles.
- Ah, já sei.
- Vá miúda, força!
- Eu estou bem, tranquilo. - mentiu.
- Vais ficar, vais ficar. Dia 15 quero-te cá, beijinho.
- Não prometo nada. Beijinho.

Assim que desligou, as lágrimas soltaram-se. Então era isso. Tinha sido trocada por uma pinhie. Típico! O típico  As pinhies invadiam as aldeias do interior e achavam-se donas e senhoras, os rapazes deixavam-se levar pela sua lábia. Filipa tinha um enorme aperto no peito, chorou, chorou imenso. Chorar não ajudava em nada, não lhe resolvia nada... mas aliviava-lhe esse sufoco. 

A verdade vem sempre ao de cima # 2

Mas o Verão chegou e a distancia impôs-se. Quico trabalhava bastante, à noite chegava cansado e já não lhe apetecia mexer no telemóvel, preferia passar um bocado com os amigos. Filipa começava a notar a falta do rapaz, sabia que ia ser assim, mesmo com a promessa, ela sabia que a distancia se ia meter mais uma vez no seu caminho. Andava triste, mas como sempre mantinha-se firme, tentava aproveitar o Verão da melhor maneira com os amigos que tinha por perto mas era difícil. Por dentro sentia um aperto, como que um vazio que não a deixava aproveitar os momentos.
Quando finalmente se voltaram a encontrar, Filipa abraçou o rapaz com força e ele envolveu-a com os braços. A rapariga conseguiu ali algum conforto e segurança. Quando estavam juntos, tudo estava bem.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

A verdade vem sempre ao de cima # 1



- Então e agora como vai ser ? - perguntou ela, a medo.
- Como assim ?
- Oh, tu sabes o que estou a perguntar... Vêm aí o verão, as pinhies... Em Setembro vais-te embora...
- Sim... e então ?
- Como ficamos , nós, ou eu e tu, como queiras ?
- Vai ser difícil, não te vou ver todos os dias como até agora, não vou puder raptar-te para aqui sempre que quiser, vou sentir imensa falta dos teus mimos, do teu toque. Mas... Vou ver-te sempre que puder. Além de que temos o telemovel e isso para podermos estar sempre em contacto.
- Então não acabamos aqui ?
- Tu queres ?
- Claro que não!
- Então não sejas tola, deixa-te de ansiedades, vive o presente. - disse, beijando-a.
- Sabes como sou...
- Eu sei, eu sei. Eu gosto de ti, não te vou deixar.
- Prometes ?
- Prometo.

Entre beijos, abraços e outros carinhos, trocaram as típicas promessas que na altura fazem sempre todo o sentido e jamais se pensa em quebrá-las.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Aviso!

Por razões pessoais e de força maior decidi que não vou dar continuidade a esta história «Freinds, Lovers, or Nothing»
I'm sorry.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Friends, Lovers or Nothing ? # 8

Certo dia, o tão esperado aconteceu. Depois de um concerto Rodrigo foi levar Carolina à casa. Já estava alegre e num impulso beijou-a. Ela corou e ficou sem jeito. Ele sorriu, disse boa noite e seguiu o seu caminho.
Carolina entrou em casa com um sorriso nos lábios e borboletas no estomago. Deitou-se mas não conseguiu dormir, a mente estava ocupada a relmebrar-lhe aquele momento...

sábado, 7 de maio de 2011

Friends, Lover or Nothing # 7

Foi-se criando uma amizade. Rodrigo e Carolina passaram a correr juntos todos os fins-de-semana. Vieram as picardias, simples brincadeiras. Era notória a cumplicidade entre eles. Passavam bons momentos juntos, Carolina sentia-se bem, Rodrigo divertia-se. Os amigos mais próximos diziam que não devia demorar muito o proximo passo, falva-se numa quimica evidente. Carolina negava a rir-se , Rodrigo seguia-lhe o exemplo.
Na verdade, Carolina sabia que os amigos estavam certos, mas não queria admiti-lo, pelo menos por enquanto. Sabia-lhe bem estar assim.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Friends, Lover or nothing # 6

As férias da Pascoa acabaram por chegar. Carolina aproveitou os dias para descansar e claro passar tempo com os amigos. Passavam as tardes no parque da cidade onde havia um pequeno quiosque. Nesse pequeno quiosque trabalhava Rodrigo.  Numa das noites de férias, Carolina estava em casa, tranquilamente, a ouvir música quando recebeu uma mensagem de um numero que não conhecia. Um simples olá. Respondeu perguntando de quem era o numero. «Rodrigo» foi a resposta. Carolina ficou em extase, continuava a achar-lhe piada. Encantava-se com o seu sorriso e os olhos claros. E começaram a conversar, conversas simples que deixavam Carolina a sorrir para o telemovel. Deixou-se levar, sem pensar em qualquer tipo de consequências... Sentia-se bem assim.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Friends , Lovers or Nothing # 5

Mas o tempo foi passando e Rodrigo não deu sinal de vida, não ligou, não mandou mensagem... Nada de nada.
- Tiago chega aqui, preciso de te perguntar uma coisinha ...
- Tu chegaste a dar o meu numero ao Rodrigo, certo ?
- Hm, sim! Naquele dia que te perguntei mandei-lhe logo uma mensagem.. Porquê ?
- Curiosidade, só. Ele nunca me chegou a dizer nada...
- Não ? - perguntou o rapaz, admirado. - Isso é muito estranho.

A conversa ficou por ali. Tiago, intrigado, uns dias mais tarde encontrou-se com Rodrigo e perguntou-lhe se ele tinha chegado a falar com Carolina. O rapaz disse que nunca tinha chegado a dizer-lhe nada porque andava entretido com uma amiga... Rodrigo era assim mesmo, um rapaz porreiro mas no que tocava a raparigas era o tipico playboy... Tiago, em defesa da amiga, avisou-o para não brincar com Carolina pois ela tinha uma história de vida bem sofrida e não precisava de quem lha complicasse mais.

domingo, 17 de abril de 2011

Friends, Lovers or Nothing # 4



- Hey, Carolina, preciso de falar contigo. 
- Claro, diz Tiago. Passa-se alguma coisa ? 
- Não, não, está tudo bem. Bem, eu estive com o Rodrigo ontem e hm, bem, tu vieste à conversa... 
- Estiveram a falar de mim ? Ahah, então ?
- Hm, não, quer dizer sim, ou mais ou menos vá. O Rodrigo perguntou por ti e eu nem entendi bem a pergunta dele, ou melhor não entendi que queria ele saber. Mas lá lhe disse, que sim até andavas bem e isso... Depois ele disse-me para te pedir se me autorizavas a dar-lhe o teu numero de telemóvel... - explicou-se, com um sorriso maroto. 
- Portanto, o Rodrigo perguntou por mim e quer o meu numero ? 
- Exactamente... 
- Está bem. Sim, podes dar-lhe. 
- Carolina, Carolina, foi impressão minha ou cresceu-te ai um brilhozinho nos olhos ?
- Impressão tua, claro... 
- Ahahah, vou fingir que acredito. Vou então mandar-lhe o numero. Não sei, mas cheira-me que isto entre vocês vai dar coisa... 

Friends, Lovers or Nothing # 3

Na segunda-feira de manha , Carolina atrasou-se como de costume  mas ainda conseguiu apanhar o autocarro a tempo. Na paragem seguinte entraram Tiago e Vera.
- Então por onde andaste ontem ? A tua mãe telefonou lá para casa , não sabia de ti... - questionou Tiago.
- Fui correr.
- Foste correr ? A manha toda ?
- Hm , não... Parei no miradouro e apareceu o rapaz da sexta feira à noite, aquele o.. Rodrigo ? E ficamos a conversar um bocado.
- Conversar um bocado ? Uuhh. Ele é um pão, tenho-te a dizer ! - brincou Vera.
- Sim, até é bonitinho...
Entretanto chegaram à escola e o dia decorreu com normalidade.
Uns dias depois , Carolina voltou a encontrar-se com Rodrigo. Desta vez foi no supermercado. Carolina tinha ido com a mãe fazer as compras da semana e de repente deu de caras com o rapaz...
- Por aqui ? - questionou o rapaz com simpatia.
- Hm, pois , parece que sim.
Trocaram mais umas palavras e cada um seguiu o seu caminho...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Friends, Lovers or Nothing ? # 2

No domingo de manha, Carolina acordou cedo e não conseguiu dormir mais. O dia estava solarengo e Carolina decidiu ir correr. Saiu de casa sorrateiramente para não acordar os pais, deixando um bilhete. Correu pela cidade, que estava ainda calma, sem muita gente... Ainda era cedo, mais tarde iam ver-se os pais a sair com as crianças para elas poderem brincar ao ar livre... Parou num miradouro de onde podia ter uma vista magnifica sobre toda a cidade. Adorava contemplar a cidade, transmitia-lhe calma.
- É uma vista magnifica... - disse uma voz. Carolina voltou-se e deparou-se com o rapaz do bar, o amigo de Tiago.
- Sim, é fantástico... - disse com um sorriso.
- Gosto imenso de vir aqui.. Foi aqui que escrevi a minha primeira musica.
- Pois.. Tu és o rapaz de outro dia não és ?
- Sim, sou o rapaz de outro dia. - riu. - Tu és a... Carolina ?
- Sim...
- Foste embora cedo na sexta... Não gostaste da nossa companhia ?
- Não, muito pelo contrário, gostei imenso! Estiveram muito bem, mesmo!
- Obrigada. É bom saber disso... Mas estavas tão calada, tão introvertida..
- Ahm... Eu sou mesmo assim .

E a conversa continuou... Carolina perdeu um bocadinho da sua timidez e deixou-se ir. O tempo foi passando e quando deram por isso eram 2 da tarde.
- 2?! A minha mãe vai matar-me!
- Ahah, pois se calhar é melhor ir andando também. Mas... foi uma manha muito agradavel. Obrigada pela companhia... - sorriu.
«A voz, os olhos, a meiguice, a simpatia, mais mil coisas e ainda um sorriso fantástico ? Slow down, Carolina, slow down!» , pensou.
- Ora essa, gostei imenso... Como é o teu nome mesmo ?
- Rodrigo
- Então, até um dia Rodrigo ... - disse com um sorriso.

Um sorriso que não lhe saiu dos lábios o dia todo...


segunda-feira, 11 de abril de 2011

Friends , Lovers or Nothing ? # 1

Numa noite fria de Fevereiro, Carolina e os seus amigos foram sair. Aproveitar uma sexta feira à noite para desanuviar toda aquela pressão de testes e coisas de escola. Curiosos, resolveram ir a um bar com musica ao vivo. Naquela noite estreava-se uma banda composta por dois jovens que tocavam covers. O barzinho estava cheio e os dois rapazes arrasaram. Um deles era amigo de um dos rapazes do grupo de Carolina, tinha uma voz rouca que combinava na perfeição com as musicas em inglês e uns olhos azuis cor do céu que encantaram as raparigas... O outro passava mais despercebido mas também tinha bastante talento. Carolina e os amigos permaneceram no bar até ao final do concerto. Quando a multidão começou a dispersar os jovens cantores vieram cumprimentar o tal amigo que os apresentou ao resto do grupo. As miudas, entusiasmadas começaram logo a conversar com o rapaz que tanto as tinha encantado excepto Carolina que estava um pouco envergonhada sem razão aparente e que acabou por ser a primeira a ir para casa queixando-se do cansaço...

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Tempestade de Emoções # 45

XLV

As aulas estavam quase a começar e para que as férias terminassem em beleza, Salvador convidou Maria a passar uns dias nas Caxinas. Maria conseguiu convencer os pais na condição de levar Rita com ela. Rita acabou por fazer o jeito ao casalinho.
Os dias no Norte incluiam uma surpresa para Maria... Salvador mostrou-lhes tudo o que de bonito havia para ver nas Caxinas, passaram um dia no Porto, entre outras coisas...  As raparigas estavam a adorar. Rita ao contrário do que pensava, acabou pro não se sentir 'vela' pois tinha a companhia dos amigos de Salvador.
Numa das noites, Salvador, as meninas e os irmãos do rapaz sairam para supostamente irem tomar café.
- Entã, mas não iamos tomar café ? - perguntou maria, desconfiada, wuando o carro parou em frente a um prédio.
- E vamos.
- Quem é que mora aqui ?
- Já vais ver. - respondeu Salvador com um sorriso malandro.
- Oh, diz lá.
Tocaram à campainha , a porta do prédio abriu-se, subiram no elevador e quando sairam, estava numa das protas uma rapariga de cabelos louros com um grande sorriso. Maria reconheceu-a de imediato, não queria acreditar.
- Não posso! Mas, mas vocês disseram que ele ia ficar em Lisboa!
- És muito ingenua, princesinha. - brincou Salvador.

Maria estava muito envergonhada, queria muito conhecer o Fábio mas tinha sido apanhada completamente desprevenida...
- Entrem. O Fábio está a acabar de se arranjar, vem já. Maria, fico muito contente que esteja tudo bem contigo.
- Oh, obrigada. - sorriu timidamente.
- A Vitória está a dormir ?
- Sim.
- Então vamos falar baixinho.
- Ahah, não te preocupes, lá em cima ela não consegue ouvir.

Estavam todos em amena cavaqueira quando se ouviu alguém descer as escadas.
- É agora! - disse Maria entre dentes. O seu coração batia acelaradamente. Agarrou o braço de salvador com alguma força e este riu-se.
- Ora boa noite! - cumprimentou-os Fábio com um belo sorriso. - Hm, deixa-me adivinhar, tu é que és a Maria.
- Sou. - respondeu Maria.
Salvador estava a conter o riso.
- Calma lá, isto não é assim. - brincou. - Eu faço as apresentações. Maria, este é o meu amigo Fábio Coentrão, também conhecido por melhor defesa-esquerdo do mundo e arredores, não sei se já ouviste falar.
Todos se riram com a brincadeira de Salvador.
- E Fábio, esta é a Maria, a minha namorada, que nutre um fascinio enorme por ti. Juro que não entendo porquê! - Maria corou e os outros riram-se.
- Oh, que parvo. Assim fico toda embasbacada.
- Esqueci-me de referir que ela tem expressões que não lembram a ninguém. Embasbacada, significa que está euforica e que se não fossem as circunstancias apetecia-lhe gritar e saltar.
Gargalhada geral.
- Prazer, Maria. - cumprimentou-a finalmente Fábio.
Maria estava de facto muito embasbacada e não sabia onde havia de se meter ou o que dizer, contudo essa sensação acabou por desaparecer e passaram uma noite muito agradável.

Maria era novamente ela, sentia-se feliz, sentia-se plena.


Tudo está bem , quando acaba bem.




FIM

Tempestade de Emoções # 44

XLIV


À noite, Maria foi tomar um café com as as amigas. Quando chegaram ao bar do rio, Maria olhou o miradouro, lembrava-se daquele sitio... Conhecia-o desde pequena, mas de repente CLICK! O miradouro trouxe-lhe a parte que lhe faltava e lembrou-se, lembrou-se daquela noite em que Salvador lhe explicara tudo, lembrou-se de ter ficado confusa, de Vasco e Rita lhe terem feito perguntas, lembrou-se de tudo!
- JÁ ME LEMBRO! - gritou.
- Sim, já me lembro. Lembro-me de tudo, tudo, tudo !
- Mesmo a sério ?
Quer dizer, excepto do acidente. Mas lembro-me de estar ali a chorar, depois de o Salvador ter tocado para mim, aquela musica do anjo da guarda, e depois ele foi lá falar comigo e... já me lembro! Até de Vila do Conde me lembro.
E de repente foi como se todas as peças do puzzle encaixassem, excepto aquela do dia do acidente, mas Maria não estava preocupada com essa, agora sentia-se de novo ela própria. Como ficou feliz...
Enviou de imediato uma mensagem a Salvador que também ficou muito feliz. Quando voltou ao médico, Maria levou uma 'descasca' por se ter exposto a emoções tão fortes mas o médico confirmou que estava tudo bem com ela.

Tempestade de Emoções # 43

XLIII
Depois de muita insistencia por parte de Maria, Salvador acabou por ceder.
- Obrigada, obrigada! Tenho um feeling que lá vou encontrar todas as respostas!
Salvador foi buscar o cavalo, ajudou Maria a subir e cavalgaram até ao riacho.
- Estavas ali ao pé daquela arvore...
- Bolas, não me lembro! - queixou-se Maria.
- Oh é normal, boneca. Hoje já fizeste muito esforço e já foi uma vit+oria teres conseguido lembrar-te de todas aquelas coisas...
- Tens razão, mas há ainda uma parte que me faz falta e isso faz-me muita impressão. Esperava encontrá-la aqui.
- Hás de acabar po encontra-la.. Tudo a seu tempo.

Salvador levou Maria a casa e a rapariga contou à familia que tinha conseguido lembrar-se de algumas coisas, todos ficaram muito contentes.

À noite, Maria estava na varanda a observar as estrelas enquanto reflectia... Nos últimos dias a sua vida tinha dado uma volta de 180º e dentro de si estava tudo uma grande confusão... Tinha sido namorada de Salvador, pelos vistos eram apaixonadissimos um pelo outro e agora ? Existiria ainfa esse amor ? Essa duvida assaltava-lhe o coração. Sentia-se bem com o rapaz, adorava estar com ele, conversar com ele... Mas seria o mesmo sentimento de outrora ?

No dia seguinte, como de costume, Salvador foi visita-la. Maria resolveu não lhe pedir para continuar a história. Estavam os dois a rir-se que nem perdidos quando começaram a picar-se um com o outro, cocegas daqui, gargalhadas dali, acabaram por se envolver num beijo apaixonado...

- Desculpa! - redimiu-se de imediato Salvador.
- Shiiiu! - disse Maria colocando-lhe o indicador nos lábios. Tinha acabado de conseguir a resposta à sua duvida... Beijou o rapaz de novo.
- Mia... Tem calma... Há uma parte da história que tu ainda não conheces. E quando te lembrares não vais gostar nem um pouco...
- Conta-me.
Salvador suspirou.
- Como te disse com os testes, os exames e isso passavamos cada vez menos tempo juntos e eu não te ligava nenhuma... Depois dos exames, fui para as Caxinas passar o verão, longe de ti. Ligava.te ainda menos porque tava a trabalhar e era Verão, não ligava nenhuma ao telemovel. Até que tu foste de férias com as miúdas para a Figueira. Mas antes de ires para a Figueira resolveste fazer-me uma visita surpresa. Nessa noite, o meu irmão fazia anos e acabei por me embebedar... E tu chegaste a Vila do Conde à hora errada. Eu não estava em mim, e uma gaja aproveitou-se e seduziu-me.
- Hm , já estou a ver. Que cena.
- Horrivel... Tu ficaste desolada e ironicamente passaste essa noite em casa do Coentrão.
- A sério ?! Eu já estive em casa do Coentrão ?!
- Sim. A Andreia encontrou-te na rua e levou-te para casa deles, mas tu saiste antes de amanhecer e foste para a Figueira ter com elas. Quando voltaste para casa, eu tentei explicar-te mil e uma vezes mas tu não nunca me deste ouvidos, não me querias ver sequer... Foi muito doloroso. Até que uma noite, consegui que me ouvisses. Expliquei-te e segundo a Rita tu querias perdoar-me mas a imagem de Vila do Conde não te saia da cabeça. No dia seguinte a termos conversado, tu desapareceste... O resto tu já sabes.
- Wooow! Que cena de filme.
- Podes crer...
- Essa é a parte que me falta! Eu não consigo lembrar-me de nada do que me disseste!
- Calma, princesa... Vais acabar por te lembrar...
- É tão frustrante! É como se quisesses acabar um puzzle mas perdeste as peças , sabes ?
- Shiiiu, calma. - disse, abraçando-a.
- Mas olha... - disse Maria olhando Salvador nosolhos. - tu podes ter-me magoado e isso tudo, mas eu agora não me lembro e ahm... tenho a impressão de que continuo apaixonada por ti...
Salvador exibiu o seu sorriso doce e beijou a rapariga, o amor da sua vida...
- Não imaginas como me sabe bem ouvir isso...


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Tempestade de Emoções # 42

XLII

No dia seguinte, como combinado Salvador foi buscar Maria depois de almoço. Estava uma tarde bem agradável. O rapaz tinha falado com a avó e explicou-lhe que era provável que Maria não a reconhecesse. Assim que chegaram, Maria observou tudo com muita atenção. Tinha a sensação de já ter estado naquele sitio.
- Está tudo bem ?
- Sim, estou bem...
- Queres entrar ?
- Sim, claro.
Maria fez um esforço para se lembrar da avó do rapaz, mas em vão.
- Calma, é perfeitamente normal, tu sabes. - tranquilizou-a Salvador.
- Sim, tens razão.
Salvador mostrou-lhe o seu quarto, a varanda onde tinham visto o Sol a pôr-se inumeras vezes e aqui a sensação de deja vu aumentou. Contudo Maria não disse nada. Foram dar um passeio pela barragem.
- Continua a contar-me a nossa história. - pediu Maria.
- Tens mesmo a certeza ?
- Sim.
- Bom, agora vem a parte má... Com os testes, os trabalhos, os exames e tudo isso passavamos cada vez menos tempo juntos.
Maria não estava a ouvi-lo, estavam no local da barragem onde Salvador a tinha pedido em namoro e de repente fez-se luz! Maria lembrou-se desse momento, como se o estivesse a viver.
- Foi aqui não foi ?!
- Ahm ?
- Foi aqui que tu me pediste em namoro, não foi ?
- Sim, foi exactamente aqui.
- Lembrei-me Salvador, Lembrei-me!
- A sério ?!
- SIIM!
- Que bom! Maria, Que BOM! - abraçaram-se
Maria conseguiu também lembrar-se do primeiro beijo, dos anos de Salvador e outros momentos...
- Salvador, por favor! Por favor, suplico-te, leva-me ao sitio onde me encontraste.
- Não, Maria, isso não! Já foram muitas emoções para hoje...
- Por favor, Salvador. És a unica pessoa que pode fazê-lo além de que eu estou bem!

domingo, 30 de janeiro de 2011

Tempestade de Emoções # 41

- Então foi assim... Eu morava no Norte, como te contei e vim para cá na altura do Carnaval porque fui expulso da minha escola, como também já te contei. No meu primeiro dia, tu chegaste atrasada como chegas sempre e eu tinha estado com o diretor e estavam a dar-me o horário quando tu apareceste. Pediram-te para me ajudares a ir para a sala certa e tu fizeste-o sem qualquer problema. Cativaste-me desde o primeiro omomento, o teu à vontade, a tua simpatia, eras uma pessoa cheia de vida, eras e és. Então sempre que podia estava ao pé de ti, falavamos... Ajudava-te quando estavas na biblioteca...
Convidaste-me para ir ao baile de finalistas e eu não podia perder uma noite assim, estavas linda! Eras a princesa da noite... Depois começamos a aproximar-nos. Ias a minha casa, passeavamaos junto à barragem, passavamos muito bons momentos juntos...
- Hm, então e eu mais ? O nosso primeiro beijo como foi ? - perguntou, curiosa.
- Calma, ia chegar a essa parte agora. Foi aqui em casa. Era suposto passarmos a tarde na barragem, mas os teus irmãos ficaram doentes e tu tiveste que ficar a tomar conta deles, então eu fiz-te companhia. Estavamos a ver um filme, voces adormeceram. Tu estavas com a cabeça no meu colo e quando acordaste disse-te 'Bom dia, Bela Adormecida' , mas tu disseste que não eras a Bela Adormecida porque ela acorda com o beijo do Principe Encantado e eu resolvi-te esse problema...
- Ahah, a sério ? Que engraçado.
- Sim.. Depois vltamos a beijar-nos na festa de despedida dos finalistas. Tinhamos uma quimica bastante forte... Depois, tipo, não sei se te lembras do Coentrão...
- Sim, lembro-me mais ou menos. Já me disseram que eu gosto muito dele.
- Sim, muito mesmo. E ele é um dos meus melhores amigos, então eu às vezes ligava-te só para ouvir a tua voz, mas usava-o como pretexto...
- Ahah, tu és maroto. - brincou.
- Oh, a culpa é toda tua! Arrancaste-me o coração!
Maria ficou sem saber o que dizer.
- Desculpa, desculpa! Tu não te lembras...
- Oh, eu é que peço desculpa...
- Não sejas tola.
- Vá continua...
- Então, iamos namoriscando de vez em quando e eu sentia-me muito feliz, como diz a minha avó, tu fazes-me bem... Até que um dia resolvi declarar-me. Num por-do-Sol bem bonito que vimos na barragem.. Tu corespondeste de imediato. Pdei-te finalmente em namoro e tu aceitaste. E pronto namoramos e fomos muito felizes...
- Custa-me tanto não me lembrar de nada...
- Hás-de acabar por te lembrar!
- Sim... espero que tenhas razão.
- Vais ver que sim... Olha, e eu , tu e o Vasco fomos ver o jogo do Benfica, o ultimo, o do titulo.
- Hm, o Vasco mostrou-me as fotos. Lembro-me vagamente.
- Isso é bom.
Maria sorriu. Salvador decidiu que ficariam por ali, não queria cansar a rapariga.
- Posso pedir-te uma coisa ?
- Claro que sim.
- Achas que amanha me podias levar ao sitio onde me encontraste ?
Salvador ficou apreensivo.
- Oh Mia, tu saiste do hospital à dois dias, o médico disse que não queria que fosses exposta a grandes emoções... Hoje já tiveste uma grande dose...
- Oh, mas eu estou bem.
- Oh, mas eu tenho emdo princesa. Olha, fazemos assim, vamos lá para a semana.
- Está bem, vá.
- Mas olha, amanha posso levar-te à barragem para espaireceres um pouco, boa ?
- Sim! Isso era otimo!

Tempestade de Emoções # 41

XLI


No quarto de Maria:
- A enfermeira disse Salvador ?
- Sim, disse. Faz-te lembrar alguma coisa ?
- Conheço o nome, mas assim em concreto não me faz lembrar nada...
O dia foi complicado, os irmãos queriam vê-la, os amigos queriam vê-la, todos queriam ver Maria contudo os médicos apenas permitiram que entrassem os familiares mais próximos e memso assim os irmãos mais novos não puderam entrar.
Os dias foram passando e as coisas começaram a acalmar. Salvador ia visitar Maria todos os dias. Maria continuava a não se lembrar dele, mas ele ia a todas as visitas. Maria estava consciente da sua falta de memória e pedia a Salvador para lhe contar quem ele era, como era a relação deles ( epnsando que eram amigos...) Um dia, já em casa, estava a conversar com Rita quando esta ljhe fez uma revelação inesperada:
- O Salvador é muito querido . Vem todos os dias visitar-me. Ficamos a conversar imenso tempo...
- Ele gosta imenso de ti. - deixou escapar a amiga.
- É verdade. Até me sinto um bocado mal, parece que nos davamos tão bem e agora eu não me lembro de nada...
- Pois, Mia... Davam-se lindamente, mesmo.
-Mau, estás-me a esconder alguma coisa!
- Oh pois estou, mas não tenho nada que ser eu a contar.
- Não interessa, conta-me, JÁ!
- Oh, também que mais dá.. Vais acabar por saber...
- Rita! Desembucha!
- Então... - hesitou. - Tu e o Salvador... já foram namorados. Pronto, já disse.
Maria ficou espantada. Não estava na à espera daquilo, mas agora tudo fazia mais sentido.
- A sério ? Oh my God! Porque é que ninguém me disse nada ?
- O médico disse que não queria nada de emoções fortes nos primeiros dias e acabei de quebrar as regras por isso diz-me que estás bem!
- Estou, estou. Só não estava era à espera disto! Fogo, asério ? Eu andei com aquele pão ?
- Sim..
- Como é que eu não me lembro disso ? Bolas!
- Ele gosta mesmo de ti... Mas eu não vou contar-te mais nada. Disseste que ele ficou de passar por aqui , não foi ?
- Sim, deve estar a aparecer. Mas conta-me.
- Não te posso contar grande coisa, tu não és muito de contar essas cenas e de dar pormenores...
- Oh, é nestas alturas que eu dava tudo para ter um diário!
Rita riu-se e emtretanto alguém bateu à porta.
- Entre.
- Posso ? disse Salvador com um sorriso, como estava a ser forte...
- Claro, entra.
- Ahm, bem , vou andando. - disse Rita.
- Não precisas de ir porque eu cheguei-
- Hm... É melhor, vocês hoje têm muito que falar e tu daqui a pouco vais querer bater-me ou gritar comigo e assim já estou longe.
- Ahm ?
- Que tola, Rita. - riu-se Maria.
- Vá, até amanhã. - despediu-se Camila.
- Calma, Salvador. Senta-te.
- Eu estou calmo...
- Já lanchaste ?
- Hm, tomei o pequeno-almoço à pouco tempo.
- Hm, então vá, falamos primeiro e depois vamos comer um gelado que estou farta de estar em casa.
- Mas o que é que temos de tão importante para falar ?
- A Rita quebrou as regras. Mas eu estou bem, calma.
- Como assim ? O que é que ela fez ?
- Ela... bem... ela contou-me que tu e eu já fomos namorados.
- O quÊ ?! Eu ia contar-te!
- Oh, ela não fez por mal. Eu é que sei dar-lhe a volta e pronto.
- A cena é que perferia que soubesses por mim...
- Não te preocupes, eu não estou chateada, eu sei que foi pelo meu bem, que estavas a zelar pela minha saúde que ainda não me tinhas contado.
- Oh mas..
- Está tudo bem, a sério.
- Então e o que é que ela te contou mais ?
- Nada... Ela disse que não conhecia bem a nossa história, que eu não lhes contava muitas coisas e por isso não tinha nada para contar.
- Hmm... Agora já entendo proque é que temos muito que falar.
- Pois, agora tu é que me vais contar a história...
- Isso é complicado, mas ok, posso tentar.
- Força. - encorajou Maria com um sorriso.

Tempestade de Emoções # 40

Maria estava sedada devido aos medicamentos mas estava com um ar tranquilo. Os pais foram os primeiros a entrar, depois Rita e Vasco ainda Quica e Filipa e por fim entrou Salvador. O rapaz sentou-se à beira da cama e agarrou na mão da rapariga fazendo ligeiros movimentos com os dedos.
- Desculpa, desculpa por tudo! - sussurrou enquanto as lágrimas lhe caiam .
Passado um pouco, Rita entrou no quarto. Salvador estava com um rosto sofrido mas fazia-se de forte, Maria continuava a dormir.
- Salvador...- sussurrou Rita. - não queres ir para casa. tomar um banho, dormir um pouco ...
- Não Rita. Não quero deixa-la. Fui eu que a pus mesta merda de situação, não vou deixa-la por um minuto que seja.
- Salvador, não estás a ser racional!
- É provavel que não mas tenta entender...
- Vai telefonar à tua avó, então. Ela deve estar preocupada.
- Sim, vou telefonar-lhe daqui a pouco. O meu tio já deve estar em casa.
Rita sentou-se também à beira da cama. Quica e Filipa tinham ido para casa, tomar um banho, comer qualquer coisa e dormir um pouco. Tinham combinado fazerem turnos. Vasco e Paula tinham ido também a casa, ver das crianças. Miguel tinha ficado.
- Ele devia ir para casa.
Salvador adormecera com a cabeça em cima da cama e a mão sobre a de Maria.
- Eu disse.lhe, mas como é obvio ele n~~ao me ouviu. Insiste que não quer deixa-la por um segundo que seja. Diz que se sente culpado...´- Culpado ? Como assim ?
- Ups! já falei demais !
- Estás à vontade, Rita... Ela é a minha menina.
- Sim, Dr, mas não é suposto ser eu a dar com a lingua nos dentes.
- Não sejas tola. Eu tenho todo o direito de saber.
- Bom.. Eles namoravam, eram muito felizes mesmo. Se os visse juntos pareciam daqueles casais dos filmes... Perfeitos, como que feitos um para o outro... Mas há umas semanas atrás chatearam-se. A culpa foi inteiramente dele e ele foi o primeiro a dar conta disso e a redimir-se. Fez-lhe mentes de surpresas, as mensagens no vosso jardim, as flores, até lhe dedicou uma música no karaoke. E ontem eles falaram, a Maria estava muito confusa, disse-me que precisava de por as ideias em ordem e a floresta é o refugio dela, mas desta vez a coisa correu mal e ela deve ter-se perdido ou o que quer que tenha sido. Então ele culpa-se por ela estar aqui no hospital.
- Oh meu Deus! E pensar que ainda outro dia nasceu! Estou estupefacto. Nem sei que te dizer. Apetece-me espanca-lo por te-la feito sofrer mas foi a sua persistencia que permitiu que ela fosse encontrada a tempo. Mais umas horas e era o fim.
- Shiiu!
Entretanto a enfermeira chamou Miguel, já tinham os resultados dos exames. Felizmente Maria estava completamente fora de perigo. Podia apenas apresentar algumas falhas de meória como na sala de observações... Enquanto Miguel connversava com o médico e a enfermeira, Maria acordou. Abriu os olhos bem devagarinho, Rita estava quase a dormir e Salvador tinha acordado à pouco tempo.
- Maria! - exclamou o rapaz. - ela acordou, carrega no botão.
Rita pressionou o botão para chamar a enfermeira.
- Mas o que é que aconteceu ? Onde é que estou ?
- Calma, querida. Tudo a seu tempo ? Como te sentes ? - inquiriu a enfermeira enquanto conferia o monitor dos registos.
- Pai ? Porque é que estou no hospital ?
- Não te lembras do que aconteceu Maria ?
- O que é que aconteceu ?
Dr, calma. Como lhe disse é normal. Ela está estável , o que como sabe é bom sinal, mais uns dias e ela está pronta para outra.
- Ó Sra enfermeira, com todo o respeito, mas esperemos bem que não haja outra!
- Mau, e tu quem és ? Bolas, respondam-me!
- Não te lembras de mim ?
- Não... Devia ^?
- Calma, rapaz. É normal, ela ainda está muito confusa.
- E de mim lembraste ? - perguntou Rita a medo.
- Que raio de pergunta é essa? Claro que me lembro! És a... - hesitou por momentos. - Rita! Como podia eu esquecer-me ?! És a minha melhor amiga!
Salvador contorseu-se todo.
- Então ouve-me com atenção, Maria. Tu ontem foste correr para a floresta e nunca mais voltavas. Não sabemos o que se passou por lá, passaste lá grande parte da noite. Encontraram-te já de madrugada perto de um riacho, toda molhada, atremer... Estavas a sangrar da cabeça e tinhas uma ferida feia no joelho. E pronto foi assim que chegaste ao hospital. - explicou <Camila.
- A sério ? Que cena.
- Salvador, vem comigo, por favor. - disse a enfermeira vendo que o rapaz estava aflito.
O rapaz percebeu a deixa e foi. Encostou-se à parede.
- Queres falar ou queres que te deixe a sós ?
- Perfiro ficar sozinho, obrigada.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tempestade de Emoções # 40

Depressa toda a vila se organizou para procurarem Maria.
Maria estava cada vez mais fraca. O corpo pedia comida, tremia de frio, já tinha perdido bastante sangue e sentia-se tonta, mas não desistia. Ouviu ao longe vozes e pareceu-lhe ver luzes. Tentou gritar mas em vão, estava demasiado fraca. Tentou mover-se e foi o fim. Perdeu os sentidos.
As buscas não estavam a ter sucesso o que levava ao desespero geral, principalmente da familia, das amigas e claro Salvador. Mas ninguém desistia, kilometros e kilometros passados a pente fino... Uns a pé, outros em jipes, outros a cavalo...
Maria recuperou os sentidos algum tempo depois, mas continuava fraca e mal conseguia abrir os olhos. Ouviu novamente chamarem por ela, um som que lhe parecia distante, mas não conseguia responder. Era Salvador quem a chamava. Tinha-se aproximado do riacho para dar água ao cavalo e aproveitou para se refrescar . Maria estava ali perto mas estava atrás de uns arbustos, estava tiritar de frio e Salvador conseguia ouvir mas não conseguia saber de onde vinha o som, procurou e rapidamente encontrou:
- Maria! O que é que te aconteceu ?!
Tirou a sua camisola e vestiu-lha, reparou na mancha de sangue que havia no chão e viu o golpe na cabeça. Pegou nela, com alguma dificuldade montou no cavlo e galopou o mais rápido que conseguia até à vila.
Pelo caminho, Maria recuperou os sentidos e conseguiu ouvir uma voz familiar:
- Por favor, Mia, por favor! Não me faças isto. Eu amo-te porra! Como nunca amie ninguém! Não podes deixar que isto acabe assim! - dizia a voz longinqua.
Maria estava demasiado fraca apra poder abrir os olhos. Felizmente encontraram uns bombeiros antes de chegarem à vila que os levaram de imediato para o hospital Informaram as pessoas, e quando chegaram ao hospital já a familia Campos lá estava. Miguel foi o único a poder entrar na sala de observações.
- Oh meu Deus! A minha menina!
- Calma , Doutor. Estamos a fazer o melhor que podemos.
Mantas daqui, choques dali, medicamentos dacolá, ventilação... parecia um filme! E que bom que era se fosse...
- Tenho pulso.
- Batimento cardiaco estável.
- Uff!- suspirou Miguel, agarrado `mão da rapariga que começava a recuperar a consciencia. - Ela está a acordar.
Salvador, que estva mesmo ali ao lado assim que ouviu as palavras do médico correu de imediato para ao pé deles escapando à enfermeira que lhe tratava umas pequenas feridas.
- Pai ? Onde é que estou? - perguntou baralhada.
-Calma, filha. Não te esforces. estás no hospital, vai ficar tudo bem.
- Rapaz, a rapariga está bem, agora deixa-me acabar o meu trabalho. - disse a enfermeira puxando Salvador.
- Quem é ele ? - questionou Maria.
Miguel que só então reparou na presença de Salvador ficou preocupado com a questão de Maria. Salvador também ficou desesperado quando a ouviu perguntar tal coisa.
- Não te lembras de mim ?
- Devia ?
Os médicos tranquilizaram-nos:
- Calma, ela ainda deve estar um pouco confusa. - dito isto levaram Maria para fazer mais exames e análises, Miguel foi então falar com Salvador.
- Estás bem, rapaz ?
- Sim, foram só uns arranhões, nada de grave. Doutor, acha que aquilo de a Maria não se lembrar de mim é mesmo só confusão do momento ?
- Eu espero que seja,espero mesmo.
Miguel acabou por sair para dar novidades ao resto da familia que esperava impacientemente na sala de espera.

-Foi ele quem a encontrou.
- Como assim ?
- O bombeiro ficou a falar connoscoe disse que ele é que a encontrou. Ele participava nasbuscas a cavalo. Por isso é que se aleijou, subi-la para o cavalo era complicado.
- Mas ele estava sozinho?
- Sim, os outros decidiram esperar que o céu aclarace mas ele dizia que não podiam deixa-la assim e que tinha que a encontrar, tinha medo que ela estivesse mal e não podia esperar. Ninguém o impediu e ele foi à procura dela.
- O puto gosta mesmo dela. - comentou Vasco.
Rita e as outras também ali estavam e entretanto Rita saiu para telefonar à mãe, quando terminou viu Salvador a sair da sala de observação. Dirigiu-se a ele.
- Estás bem, Salvador?
- Sim, foram só umas feridas...
- O que fizeste esta noite foi um grande gesto.
- Não fiz mais que a minha obrigação. A culpa de ela estar assim é toda minha...
- Não digas isso, Salvador.
- Masé verdade, e tu sabes. Elavai correr para afloresta quando precisa de pensar, quando se quer libertar da confusão e acho que não é preciso lembrarte que confusão é essa.
- Mas, mesmo que isso seja verdade, não podes pensar assim! Ela jamais queria que te sentisses assim.
- Ela nem se lembra de mim, Rita! - disse com uma voz trémula.
- O meu pai disse que era normal. Ela perdeu bastante sangue, além de que está exausta e isso pode levar a que não se lembre. - intrometeu-se Vasco.
- Ela lembra-sedo pai.
- O pai é uma pessoa que ela conhece há 17 anos. Não podes nem comparar.
Salvador ficou em silêncio, estava a sofrer mais do que nunca... Ela era tudo para ele.
- Oh puto, tem calma! Ela vai ficar bem. Tens, temos, que acreditar nisso.
- Pessoal a enfermeira veio informarque já fizeram os testestodos, agora ésó esperar pelos resultados. E que entretanto podemos visita-la dois a dois mas não podemos fazê-la esforçar-se. - informou Quica.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Tempestade de Emoções # 40

Durante o dia andou nas lides domésticas e ao final da tarde resolveu ir correr para tentar libertar todas as más energias que tinha acumuladas em si. Deixou o telemovel em casa epartiu. Correu pelos trilhos da floresta, o vento puxava-lhe os cabelos para trás, sabia-lhe tão bem... Quando o Sol se pôs resolveu voltar para casa, mas deu por si perdida. Começou a andar em circulos.. Exausta resolveu parar. A Lua cheia iluminava a floresta, o silencio envolvente era medonho. Caminhou até um riacho onde podia beber água mas ao chegar perto escorregou e caiu mesmo na água. Bateu com a cabeça numa pedra bicuda o que a fez abrir a cabeça e fez um golpe de tamanho e profundidade considerável no joelho. Encharcada, a entrar em hipotermia mesmo sendoVerão e até estando uma noite agradável, tentou manter-se consciente. Tirou a t-sirt para usa-la de garrote na ferida do joelho. A situação por ali não estava fácil.
Em casa, todos  estavam preocupados... Maria não aparecia, tinha deixado o telemovel em casa, não estava com nenhuma das amigas, Salvador não sabia dela... Niguém a tinha visto!

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Tempestade de Emoções # 39

Rita e Vasco iam atrás dela, mas Salvador impediu-os .
-Deixei-me tentar, só mais desta vez, por favor.
Vasco preparava-se para lhe bater mas Rita segurou-o.
- Calma, Vasco. Vamos dar-lhe só mais esta opurtunidade. A úlima.
- Tás parva ? Ele é um cabrão.
- É só mais uma vez. É o cabrão que a tua irmã ama, sabes bem.
- Ok, ok. Mas é a última, percebes ?
Maria estava no miradouro, com os braços à volta dos joelhos.
- Maria, da-me só uma opurtunidade. Deixa-me explicar-te.
- Não, vai-te embora. Deixa-me em paz.
- Não, ouve-me por favor. Depois, se tu quiseres eu vou embora.
- Não, porra!
- Por favor, Maria.
- Foda-se, fala, explica!
- Acalma-te, por favor.
- Estás a desperdiçar tempo!
- Naquela noite, como te disse, era o aniversário do meu irmão, fomos jantar fora, bebi um bocado, à noite no bar bebi mais e pior do que isso, fiz misturas. Fiquei alegre e queria muito ter-te ali. Mesmo! Falava de ti a toda a gente. Aquela rapariga andava a bater-me o couro à uns dias. Dei-lhe sempre com os pés, juro. Podes pergunta á Andreia. Mas ela não me largava e naquela noite, eu estava vulnerável e ela aproveitou-se, pelo que sei no  preciso momento em que tu apareceste
- Local errado, à hora errada.
- Tens de me perdoar, por favor.
- Já explicaste, agora podes ir.
- Oh Maria... Perdoa-me, caramba.Foi um erro, não vamos estragar tudo por uma merda d'um erro!
- Dá - me tempo, Salvador.
- Ok Maria... Só espero quenão seja tarde quando quiseres voltar. Já fiz tudo o que podia.

Maria permaneceu no mesmo sitio, não sabia o que fazer, o que pensar... Queria perdoar Salvador, mas não conseguia esquecer. Morria de saudades do rapaz, amava-o ainda mais que d'antes.. Tinha de conseguir esquecer.  Apagar aquela imagem sempre tão presente na sua mente.
Rita e Vasco foram ter com ela, respondeu pacientemente às perguntas dos dois e acabou por ir para casa com o irmão. Uma noite em branco, o costume dos últimos tempos.


Tempestade de Emoções # 39

De tarde telefonou às amigas, contou-lhes da surpresa e da saída com os amigos de Vasco. As raparigas pensavam que Maria devia pelo menos ouvir Salvador, afinal já tinha passado algum tempo... Maria ficou a pensar no assunto. À noite, encontraram-se no bar do rio. Maria apresentou as amigas aos rapazes como prometido. Inesperadamente, Salvador também apareceu por lá, estava com o irmão mais velho. Notava-se que estava abatido. Enquanto que Maria fingia que estava a passar um bom momento. No bar era noite de karaoke, a dado momento, Salvador subiu ao palco. O coração de Maria começou a bater demasiado rápido assim que Salvador pegou no microfone.
- Boa noite a todos. Todos vocês sabem queeu sou muito timido e devem estar surpreendidospor me veraqui. De facto não foi fácil subir até aqui, encarar-vos assim, mas há uma coisa que quero fazer. Quero pedir novamente desculpa a uma pessoa muito importante, arriscar-me-ia a dizer, a pessoa mais importante da minha vida. E portanto quero pedir-lhe desculpa cantando uma musica. Aqui vai...
O publico aplaudiu com muito entusiasmo. O coração de Maria estava a mil. Tinha tudo para ser o momento perfeito, não fosse a imagem daquela noite, aquele aperto no coração... Salvador recebeu imensos aplausos. O público ainda gritou «beija, beija», mas Maria apenas teve uma reacção: fugir.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Tempestade de Emoções # 39

Certa tarde, estava em casa com os irmãos quando tocaram à campainha. Sofia foi à porta.
- Boa tarde, menina.
- Boa tarde. - respondeu Sofia, espantada pois o homem trazia um ramo de flores na mão.
- Venho entregar estas flores à menina Maria Campos. Pode fazer o favor de assinar ?
- Sim, sim.
Sofia assinou, pegou nas flores e entrouem casa.
- Flores ? Quem te mandou Sofia?
- A Sofia tem namorado, uuuuhhh! - brincouMaria.
- Não, parva. As flores são para ti.
- Para mim ?!
- Para Mia? - perguntou Bernardo.
- Foi o principe ? - perguntou Lúcia, encantada.
- Quem veio entregar ? - perguntou Maria enquanto pegava nas flores, umas rosas vermelhas lindissimas.
- Foi o homem da florista.
- Enão lhe perguntaste quem tinha mandado as flores ?
- Hm, não. Mas, tens ai um cartão.
- Como se fosse dificl de saber quem foi, Maria. - comentou Vasco.
Maria pegou no envelope, retirou o cartão e numa caligrafia bonita podia ler-se: «Desculpa. Amo-te, S
Os irmãos perguntaram o que dizia, quem tinha sido e por ai fora, mas Maria esquivou-se dizendo que um dia lhes contava. Telefonou às amigas e contou-lhes o sucedido. As raparigas acharam o gesto bonito mas de qualquer maneira Maria ainda não tinha perdoado Salvador.
Uns dias depois, nova surpresa. Miguel e Teresa, os pais de Maria, sairam cedo de casa para irem trabalhar. Bem em frente da porta de casa depararam-se com uma mensagem romantica escrita em pedras: «Desculpa. Amo-te, S
- Oh meu Deus! Mas o que é isto, Teresa ?
- Parece-me um pedido de desculpas.
- Para a Maria ? Flores no outrodia, hoje isto. Ela anda triste que eu bem vejo. O rapaz fez da boa e isso não me agrada nada! Ele magoou a minha menina.
- Pois, mas pelos vistos está arrependido e empenhado em ultrapassar oerro.
- Não confio, não confio!
-Não sejas pai galinha. Olha-me que romantico que isto está. Vou enviar uma mensagem à Maria para ela vir cá fora assim que acordar.

Maria já estava meia acordada. Leu a mensagem e curiosa levantou-se. Na rua, não viu nada, mas depois acabou por olhar melhor e descubriu a mensagem. Ficou surpreendida e eternecida. Maria queria perdoar Salvador, mas não conseguia. Não conseguia esquecer aquela noite em Vila do Conde. Entretanto apareceu Vasco que ia correr com uns amigos.
- Bom dia, madrugadora.
- Bom dia.
- Que é aquilo?
- Ahm, nada.
- Desculpa. Amo-te, S ?
- Hm, pois.
- Maria, conta-me de uma vez por todas o que é que aconteceu.
- Oh, está bem, vá. Mas enquanto tomamos o pequeno almoço que estou cheia de fome!
Assim fizeram, Maria contou ao irmão que tinha ido a Vila do Conde e oque por lá se tinha passado.
- Cabrão!Se o apanho, dou cabo dele!
-Vasco, não faças nada, por favor.
Vasco insistiu mas Maria convenceu-o. Entretanto os amigos de Vasco chegaram e desafiaram Maria a ir correr com eles. Maria aceitou. Gostava imenso de sentir o vento fresco bater-lhe na cara.
- Mariazinha, então e quanto é que nos apresentas umas amigas bonitas como tu ?
Maria riu-se.
- Olha o respeito, Pedro.
-Oh Vasco, temos que admitir que é verdade.
- É quando quiseres.
- Mas mesmo a sério ?  Aquela, ameia loira é bem gira.
- A Rita?
- Exacto! Não me lembrava do nome dela. Vá mas olha, hoje mesmo podiamos ir tomar café todos, o que dizem ?
- Por mim, 'tou nessa!
- Está combinado.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Tempestade de Emoções # 38

XXXVIII

Salvador também regressou a casa dos avós. Queria explicar-se a Maria, tinha continuado a tentar o telemovel da rapariga mas sem sucesso. Resolveu ir a casa dela.
- A Maria está ? - fora Vascoquelhe abrira a porta, mas não sabiado que tinha sucedido.
- Está. Está noquarto, podes ir até lá.
- Obrigada.
Salvador já conhecia mais ou menos a casa e acabou por ir direitinho ao quarto das raparigas. Maria estava deitada na sua cama com os fones nos ouvidos mas estava a dormir. Salvador ficou por instantes a admira-la. Passou suavemente a mão pelos longos cabelos da rapariga que acordou sobressaltada.
- O que é que estás aqui a fazer? Sai. Eu não quero falar contigo, nem quero voltar a ver-te. Sai, sai do meu quarto, sai de mim!
- Vá lá, deixa-me explicar, princesa!
- Nem te atrevas a voltar achamar-me isso.
-Maria,por favor, ouve-me.
- SAI!
- Eu estava bebado,Maria! Não estava em mim.
- Isso não é desculpa. Não há desculpa possivel. SAI!
- Eu saio, mas volto.
- Sai!- gritou Maria tentando conter as lágrimas.
O rapaz acabou por sair desolado. Também ele estava a sofrer. Tinha cometido um erro sem qualquer intenção. A rapariga que mais amava no mundo estava a sofrer. Fora ele quem a magoara. Regressou à quinta , pegou no se cavalo e partiu. Andou horas a fio a cavalgar. Libertava-lhe um pouco a dor.

Maria fechou-se no quarto achorar. Os irmãos tentaram falar com ela,mas em vão. Acabou por adormecer. A mãe foi acorda-la para jantar.
- Maria, acorda filhae. São horas dejantar.
- Não tenho fome mãe.
- Oh Maria o que é que aconteceu?
-Nada mãe. Eu estou bem. - sorriu.
- Maria, sou tua mãe. Adormeceste de tanto chorar, tens esses olhos inchados e vermelhos, já para não falar da magoa que se vê.
- oh mãe...
-Oh minha querida não chores. Sabes que podes falar comigo.
- Oh mãe eu sei, mas não consigo. - soluçou.
- Oh minha pequena..Não sofras tanto. Tudo se resolve.- abraçou-a.
- Obrigada,mãe.
- Anda jantar, agora.
- Oh mãe a sério não tenho fome.
Depois de mais uma noite em branco, Maria foi ter com as amigas na tentativa de se distrair. Passava osdias atentar ocupar-se e a fingir que estava bem. Mas nem sempre conseguia...Numa visita à avó, esta de imediato lhe disse: Que olhar tão triste, minha querida!  Em casa, Vasco todos os dias lhe perguntava o que tinha acontecido. Maria nunca contava...

Tempestade de Emoções # 37

XXXVII


 
Maria passou a viagem a chorar. Tentava conter mas a dor que sentia era enorme. Chegada à Figueira foi até à Pousada da Juventude. As raparigas estavam a arranjar-se, tinham acordado à pouco tempo.
- Maria ? O queesás aqui aazer ? O que é queaconteceu ?!
Maria não conseguiu articular palavra, uma vez mais as lágrimas foram mais fortes.
- Oh minha pequena..
- Foi ele ? o Que é que ele te fez ?
Maria acalmou-se e contou às amigas o que tinha acontecido.
- Que cabrão!
- Oh, Mia... Tu não mereces! Não chores mais...

 * * * * *

- Puto, temos que falar.
- Diz.
- Vem cá a casa assim que puderes.
- É grave...
- Vem que já falamos.
Passados dez minutos Salvador , lá estava.
- Que se passa , Fábio ? Estás a assustar-me.
- Que andaste a fazer ontem à noite ?
- Ahm ? Como assim ? Estive no bar como tu .
- Olha, isto. - Fábio mostrou-lhe o bilhete que Maria tinha escrito. - Reconheces a letra ou assim ?
- Assim de repente não estou a ver... Mas suponho que seja de uma rapariga chamada Maria. Belo nome... Mas não estou a ver onde queres chegar. Conta de uma vez.
- Quantas namoradas tens, meu ?
- Uma, sabes bem!
- Não sei se sei. E mais? Nenhuma amiga colorida ?
- Fábio, desembucha!
- Então é assim: a tua namorada esteve em Vila do Conde, ontem. Esteve inclusivé no bar e pelo que sei não gostou muito do que viu.
- O quê ?! A Maria esteve cá ? Nãão! Aquilo foi apenas um impulso! Eu já não estava sóbrio e a miúda é gira e estava-me a bater o coro. Porra, não podia ter acontecido! Estraguei TUDO, Fábio!
Salvador entrou em pânico. Tinha cometido o maior erro da sua vida. Andreia chegou pouco depois e contou ao rapaz tudo o que tinha acontecido. Telefonou para Maria vezes sem conta. Estava em desespero. Maria desligou o telemovel. Salvador arranjou o numero de Rita, Quica e Filipa mas em vão. Nenhuma atendia. Escreveu mensagens, mas nada. Nada de nada.
- O que é que eu faço agora ?
- Agora esperas... Dás-lhe tempo. Ela vai acabar por te ouvir. Mas agora ainda está dominada pelo ódio, pela raiva...
- Eu não posso perdê-la Andreia, não posso!
- Mas ontem não pensaste nisso!
- Eu sabia lá que ela vinha! Ela tinha chegado um minuto mais cedo e nada disto acontecia!
- Não a estás a culpar, pois não ?
- Claro que não! E se eu for ter com ela agora ?
- Não me parece boa ideia. Deixa-te estar.
- E fico aqui? Sem fazer nada ?
- Dá-lhe espaço..
- Não. Eu tenho de ir tercom ela.
Mas Salvador estava com azar. Só ia conseguir viagem para o Interior no Sabado, não se lembrando que Maria podia estar na Figueira.

Na Figueira, Maria tentava recompor-se mas era muito dificil. Na praia dava longas caminhadas, tentava sempre manter-se ocupada... Certo dia estavam na praia a jogar voleibol quando apareceu um grupo de jovens a desafia-las para um jogo. Aceitaram e acabaram por socializar com o tal grupo. Iam à pousada tomar um banho, trocar de roupa comiam qualquer coisa e saiam para a noite. De bar em bar, uma discoteca ou outra... Numa noite encontraram os amigos da praia, iam fazendo amigos novos, conhecendo pessoas. Um dos novos amigos ficou bastante interessado em Maria, mas esta não lhe dava bola nenhuma. Maria mal conseguia dormir, tinha ainda a dita imagem na cabeça a dor aguda no peito. No ultimo dia, o tal rapaz que ficaram muito interessado em Maria convidou-a para um passeio, Maria aceitou. O rapaz comprou uma rosa vermelha e declarou-se:
- Miúda, foste a melhor coisa que me aconteceu estas férias! - disse entregando-lhe a rosa. O rapaz tentou beija-la mas Maria cortou-se.
No dia seguinte as raparigas regressaram às Beiras. Maria tentava a todo o custo disfarçar a tristeza que lhe ia na alma. Foi uma 'festa' quando chegou a casa.

Tempestade de Emoções # 36

- Amor, acorda. São horas dopequeno almoço.
- Só mais um bocadinho.
- Vá, já continuas.
- Hm.. Bom dia amor.
- Bom dia. Segura na Vitória enquanto eu vou à casa de banho.
- Anda cá pequenina. Amor, porque é que estava um papel na mesa das chaves a dizer 'Obrigada' de uma tal Maria ?
- Ah, isso.É uma longa história. É melhor contar-te quando acordares de vez.
- hm, mas é grave ou assim ?
- Mais ou menos. O Salvador traiu a namorada.
- Hm, o puto ontem já não era propriamente ele, mas vá agora começaste, acabas.
Andreia contou como encontrou Maria, quando esta a reconheceu, a conversa que tinham tido...
-Ahah. Pois o Salvador já me tinha dito que ela 'gostava' de mim. Ela foi com ele ver o ultimo jogo. Ela diz que eu sou bonito quando faço a barba.
- Ahahah. A miúda é muito expontanea. Gostei imenso dela e tive imensa pena. Estava completamente distroçada. Só espero que ela esteja bem, dentro do possivel claro.
- Eu já telefono ao puto, agora vou dormir mais um bocado.
Andreia deu-lhe um beijo, pegou em Vitória e deixou o quarto às escuras.

Tempestade de Emoções # 36

- Ei, miúda, está tudo bem ? - perguntou uma voz feminina.
- Não, longe disso. Mas eu fico bem, obrigada.
- Precisas de alguma coisa ?
- Não, obrigada.
- De certeza ? Não queres ir lá dentro, beber um copo de água ?
- Não, eu não volto a entrar ali!
- Wow,aconteceu alguma coisa ?
A rapariga era alta, Maria não conseguia ver-lhe bem o rosto. Estava acompanhada de um carrinho de bebé que empurrava em jeito de adormecer a criança.
- Acabei de ver o meu namorado, o rapaz que eu julgava ser o amor da minha vida, aos beijos com outra.
- Oh meu Deus. Lamento imenso.
- Hm, pois.
- Não quero nem imaginar o que isso doi. Mas olha, vem comigo, não até ao bar, mas até minha casa.
- Não, não quero incomodar-te. Eu vou só esperar que amanheça, depois apanho o comboio e vou-me embora.
- Eu insisto. Não incomodas. Não vou deixar que passes a noite ao relento.
Maria recusou durante algum tempo, mas a rapariga continuou a insistir e Maria acabou por aceitar.
A rapariga colocou a criança na sua cadeirinha enquanto Maria entrou no carro. Quando a rapariga se sentou ao volante Maria conseguiu finalmente ver-lheo rosto. Era loira, olhos castanhos... Maria reconheceu-a de imediato.
- Mas tu és a Andreia!- exclamou.
A rapariga sorriu e confirmou.
- Então e ela é a Vitória e isto é o Audi Branco do Coentrão! !
- Certo. - riu Andreia.
- Não posso! Só me faltava agora a ironia!
- Ironia ?
- Sim.. Eu pensava que o dia em que isto me ia acontecer ia ser um dos mais felizes da minha vida.
- És mais uma fã doFábio ?
- Não sei se é bem fã. Eu gosto imenso de futebol, sou Benfiquista mais do que ferranha e gosto imenso de o ver jogar. Nunca desiste, tem sempre aquelas ganas de vencer. Admiro-o.
Andreia sorriu. A viagem foi rápida. Vitória continuava a dormir, era loirinha, bastante parecida com o pai.
- Ela é tão bonitinha! Tem um ar tão sereno.
- Ahah, sim, nesse aspecto sai a mim.
Maria iria dormir no sofá da sala, iam conversando enquanto Andreia dava de mamar à criança.
- Tu não és de cá pois não?
- Não. Sou das Beiras, de uma vilazinha perto da Serra da Estrela.
- Hm.. Eu sei que não deves querer falar no assunto, mas quem é que é o teu namorado ?
Maria suspirou numa tentativa fracassada de conter as lágrimas.
-É o Salvador.
- Salvador?! O Salvador?! Claro! Claro! É daí que teconheço!
- Sim, o Salvador. Irmão do Alex e do Miki. Tu conheces-me ?
- Sim, a tua cara não me és estranha e agora já me lembro, o Salvador mostrou-nos umas fotos e tu estavas lá.
- Ahh, ele nunca me disse nada.
- Oh meu Deus! Aquele rapaz não tem juizo. Ele sabia que tu vinhas ?
- Não... Queria fazer-lhe uma surpresa... Ele andava distante dehá uns tempos pra cá. Eu pensava que era por causa dos exames mas os exames passaram e ele continuou distante... Agora sei porquê.
- Oh minha querida... Lamento imenso! Não sei que te dizer. O Salvador parecia tão apaixonado por ti... O brilho nos olhos dele quando falava de ti, a cara que fazia quando via o telemovel. O Fábio brincava imenso com ele.
Maria não foi capaz de articular palavra. As lágrimas caiam uma após outra.
- Calma... Respira fundo. Se o Salvador fez isso com intenção não merece essas lágrimas. Mas tu tens que falar com ele. Ouvir uma explicação dele.
- Não! Eu não vouolhar para a cara dele tão cedo. Eu vi. Eles estavam a falar, muitos sorrisinhos e depois, depois beijaram-se! - chorou.
- Mesmo assim. Pode ter sido um impulso, um mal-entendido, qualquer coisa!
- Eu vi.
- Olha, fazemos assim, agora vais descansar e amanhã quando acordares de cabeça friadecides o que queres fazer.
- Eu já decidi.
-Mesmo assim, pensa melhor. Eu vou deitar a pequena. De certeza que não precisas de nada?
- Sim.. Muito obrigada por tudo!
-Não agradeças... Quem me dera conhecer-e noutras circustancias. Boa noite.
- Boanoite-
Maria tentou dormir, mas era em vão. Cada vez que fechava os olhos só via aquela imagem. Eram cerca de 3 da manhã quando Andreia se levantou para dar o peito à pequena Vitória. Ao passar pela sala, viu que Maria estava acordada.
- Acordei-te ? Desculpa!
- Não, nem te senti. Mas não consigo dormir.
- Oh rapariga...
- Eu fico bem. Trata da Vitória e vai dormir. Eu fico bem.

Assim que o dia começou a aclarar, Maria partiu de casa dos Coentrão deixando um bilhete de agradecimento

Tempestade de Emoções # 36

XXXVI

No sabado, Maria partiu para Vila do Conde e as amigas para a Figueira. Encontrar-se-iam na segunda-feira. Maria resolveu não dizer nada a Salvador. Seria uma visita surpresa. Certificou-se apenas de que o rapaz não ia sair de vila do Conde nesse fim-de-semana. Maria planeava chegar a Vila do Conde ao final da tarde mas os comboios atrasaram-se e Maria acabou por chegar já de noite. Salvador estava no bar do amigo Coentrão a festejar o aniversário de um amigo. Maria teve alguma dificuldade em encontrar o bar, mas conseguiu. Estava cheio, Maria entrou e as pessoas ficavam curiosas aolhar para Maria de mochila às costas. Num rápido olhar encontrou Salvador. Estava à conversa com uma rapariga, por sinal, bonita e de repente, como se fosse a coisa mais natural do mundo, beijam-se! Maria nãoqueria acreditar noque estava a ver. As lágrimas começaram a cair-lhe numa corrida desenfreada. Maria saiu do bar o mais depressa que conseguiu. Dexou de sentir o chão, uma enorme dor no peito sufocava-a, o coração estava acelerado como nunca, queria correr, sairdali maso corpo não obedecia, aspernas não se moviam, deixou de as sentir Deixou-se cair no passeio. Na sua mente perdurava aquela imagem, um só segundo eo seu mundo desabara...


Tempestade de Emoções # 35

No último dia de aulas, Maria e as amigas foram almoçar à pizzariacomo de costume. No final da tarde, Salvador veio ter com Mariaaomiradouro. Assim que o rapaz chegou, Mariaabraçou-o com imensa força.
- Meu amor! Tinha tantas saudades tuas.
-Oh minhapequena e eu tuas!
Permaneceram abraçados. Maria tinha a cabeça encostada no peito do namorado e conseguia ouvir-lhe os batimentos cardiecos mas estava distante, estava dominada pelo medo. Mas Salvador não reparou. Ele estava preocupado e ansioso, mas pelos exames. Queria tirar boas notas para entrar onde queria.
- Estás tão tenso Salvador... E essas olheiras.. - notouMaria.
- Hm, sim. Ando um pouco cansado.
- Oh Salvador tens de ter calma. É só um exame, além disso tu dominas aquilo!
- Mas tenho medo defalhar, Maria...
- Olha para mim. Tu és capaz e tu vais conseguir! Eu acredito em ti e tu tensque acreditar também.


Salvador tinha exame na segunda-feira,Maria foi passar o domingo com ele para se certificarque ele descansava. Salvador acabou por descontrair e no dia seguinte o exame correu-lhe de feição assim como o outro exameque lhe faltava. Assim que terminou os exames, Salvador ficou apenas dois dias e seguiu para o Norte.
Na sua ausencia, Maria tentava entreter-se com as amigas na piscina, a acompanhar a Selecção mas a sua tristeza começava a ser notória. Até os paisjá tinham notado. A mãe cada vez que dava com ela pensativa tentava sacar-lhe qualquer coisa mas sem efeito. Vasco idem. O que entristecia mais Maria era o facto de o rapaz mal lhe ligar ou enviar uma mensagem.

- Ó Mia, está tudo bem ?- perguntou Rita quando numa tarde de piscina Maria desligou o telemovel muito desanimada.
- Sim, claro. - mentiu.
- Mia!
- Não e preocupes.
- É o Salvador ?
- É a falta do Salvador.
Maria explicou às amigas o que tantoa entristecia, os medos, s saudades... Sentiu-se um pouco maisaliviada.
-Tenho uma ideia! Prá seman, quando formos para a Figueira podes ou podemos fazer um desviozinho por Vila do Conde.
Maria ficou a pensar na sugestão da amiga e acabou por aceita-la.

Tempestade de Emoções # 35

XXXV 
A segunda quinzena de Maio era sempre atribulada, cheia de teste, trabalhos, relatórios.. Tudo isso. O que provocava um grande stress nas raparigas.
A juntar a toda essa azafama veio afinal do Campeonato de Voleibol do DesportoEscolar. Um jogo renhido com a equipa de Aveiro, no entanto conseguiram vencer. Um sonho realizado. Participaram ainda num torneio ibérico. O voleibol acabou por impedir as raparigasde irem ver a Selecção Nacional à cidade da Covilhã onde se realizava o Estágio de Preparação para o Mundial de 2010. Salvador tinha ido assistir apenas aum dos jogos-treino, poistambém ele andava atrapalhado com testes e trabalhos. Maria e Salvadorcom tudo isto não conseguiam estar juntos tantas vezes quanto gostavam.
- Estou tãocansadadetudo isto! - queixou-se Quica.
- Nem me digasnada. - retribuiu Maria.
- Se me apanho de férias...!
- Olhem, nas férias deviamos ir passar uns dias fora daqui, as quatro !
- Que grande ideia, Fi!
- Então vamos começar a procurar sitios e essas coisas.
- E claro, falar com os papás...
- Sim, claro.
Todas falaram com os pais e apesar de alguma hesitaçãotodos concordaram.Defacto seria uma boa experiencia dado quejá faltava poucotempopara abandonarem a casa dos pais. Na Quarta-feira daúltima semanade aulas, juntaram-se em casa de Quica para investigarem sitios , preços e essas coisas.
Estavam indecisas entre a Figueira da Foz e o Gerês. Em sorteio calhou-lhes a Figueira... Parque de Campismo ou Pousada ? Contas feitas, a pousada era melhor. Reservaram tudo e de seguida viram um filme. Depois acabaram por jantar todas juntas e quando regressaram a casa, Maria telefonou a Salvador, mas o rapaz não atendeu. Ele já não tinha aulas, mas estava a preparar-se para os exames e isso não lhe deixava muito tempo livre. Maria compreendia-o perfeitamente mas não conseguia deixar de ficar triste. Mas que isso, andava ansiosa e com receio. Salvador ia passar o Verão no Norte, mal o ia ver.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Tempestade de Emoções # 34

XXXIV

E o tão esperado dia acabou por chegar. Foram de comboio até Lisboa, por lá passaram um dia divertido, jantaram nocentro comercial e seguiram para o estádio. Salvador torciapeloRio Ave e osirmãospelo Glorioso. Maria estava em extase. Salvador fotografou-a mil e uma vezes. Estavam bem ao pé do banco de suplentes do Benfica. O jogo foi fantástico.  Benfica jogou bonito e levou os adeptos ao rubro. No fim, a vitória! A vitória e uma enorme festa. Maria não podia estar maisfeliz. Coentrão fizera um jogo fantástico, e mais, eram CAMPEÕES ! A festa prolongou-se madrugada dentro.
Após uma directa e ainda em euforia os irmãos apanharam o comboio de regresso a casa. Salvador seguiu para o norte. Dormiram na viagem e chegaram a casa já depois de almoço. Já não foram às aulas.
Salvador telefonou a Maria perto das 7 da tarde.
- Princesa!
- Olá - dissecarinhosamente.
- Chegaste bem ?
- Sim e tu ? Como está a correr o casamento ?
- bem, muito bem. Está cá bué imprensa, bah. Mas olha, viste a convocatória ?
- Ahm ? Não! Esqueci-me.
- Não faz mal, mas olha, aqui vivesse a euforia! O nosso Fábio foi convocado!
- Ahah , a sério ? Que fiche! Ficomesmo contente. Dá-lhe os parabéns.
- Claro, meu amor.
- E tu , quando vens ?
- Amanha. Estou cheio de saudades!
- Também eu, também eu.
- Bem, princesa, tenho de desligar. Amo-te.
- Beijinho,diverte-te. Amo-te.

E no dia seguinte, Salvador estva de volta. Maria'obrigou-o' a contar todos os pormenores do casamento.

Tempestade de Emoções # 33

XXXIII
E o tempo foi passando ao ritmo de uma rotina típica da vida de estudante. Numa segunda-feira dos princípios de Maio, depois de Salvador ter passado o fim-de-semana no Norte, estavam sentados num banco do jardim a aproveitar o Sol quando Salvador pediu a Maria que tirasse da sua mochila um envelope vermelho. Maria entregou-lhe, mas o rapaz devolveu-lho dizendo que era para ela. Maria abriu. Lá dentro encontravam-se dois bilhetes para o jogo Benfica x Rio Ave, o último do campeonato, o jogo do titulo, os bilhetes do sonho!
- Vais ver o jogo ?
- Sim, vou.
- Que sorte!
- Mas esses bilhetes são para ti, amor.
- Ahm ?!
- Sim… A maior parte do pessoal vai com o Rio Ave, então no fim-de-semana estive a falar com o Fábio e ele arranjou-me dois bilhetes para poder levar-te a tie se tu quiseres levar mais alguém…
- A sério ?! – os olhos dela brihavam!
- Claro.
- Aii ! Obrigada! Obrigada! Obrigada! – abraçou o namorado, não cabia em si de contente.
- Ahh,mas espera amor, tenho uma coisa para tecontar.
- Conta.
Salvador começou a rir-see tentou falar:
- O Fábio…ahm… ahahah. Vai casar-se ... na segunda-feira depoisdo jogo… ahah!
- Vai ? Com a Andreia ? – perguntou Maria, meia desconsolada.
- Sim…
- Ele está feliz ?
- Meio feliz, meio apreensivo.
- Hmm..
- Mas ainda há mais…
- Mais?
- Sim.. A Andreia está grávida.
- Quêê?! – disse estupefacta.
- Pois. De uma menina, que nasce em Julho. Vai chamar-se Vitória.
- wow! Que cena.
- Ahahahahah, devias ver a tua cara. Ahah!
- Oh, para de gozar.
- Ahah, pronto, princesa. – disse dando-lhe um beijo para a consolar.
À noite , em casa, Maria conversou com Vasco sobre os bilhetes.  O irmão ficou surpreendido com a oferta mas aceitou imediatamente a proposta.
- Então e agora, como é que dizemos aos pais ?
- Hm.. Eles não sabem , não é ? Oh diz que é amigo e que conhece o Fábio e pronto.
- Achas que é suficiente ?
- Espero bem que sim.
Ao jantar falaram com os pais e após alguma hesitação e bastantes perguntas os pais acabaram por deixar para enorme felicidade dos irmãos. Maria telefonou de imediato a Salvador e às amigas. Não cabia em si de contente.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Tempestade de Emoções # 32

XXXII
Durante o fim-de-semana, Salvador e Maria iam trocando mensagens cheias de ternura. Na segunda-feira mataram as saudades ao almoço.
Salvador estava prestes a fazer anos e Maria não sabia o que lhe havia de oferecer. Queria fazer algo fora do vulgar,algo especial mas nada de extravagante. Opurtunamente, Salvador queixou-se de que não tinha palhetas para a viola. Então, Maria resolveu comprar-lhe as palhetas e personifica-las. O aniversário do rapaz calhava num dia em que ambos tinham tarde livre. Maria saiu mais cedo do treino de voleibol e foi almoçar a casa do namorado. Quando chegaram a avó já tinha tudo pronto. Sentaram-se e almoçaram. Foi um almoço divertido, a avó e o tio contavam imensas histórias da infancia de Salvador. Como era reguila aquele rapaz! No fim cantaram os Parabéns e comeram o delicioso bolo qe a D.Josefa tinha feito. Salvador e Maria subiram até ao quarto do rapaz. Com uma música calminha de fundo, Salvador puxou suavemente Maria para si, envolveu-a com os braços e beijou-a apaixonadamente.
- Não imaginas comoestou feliz. - disseSalvador com um sorriso encantador.
- Ainda bem, meu amor.
- Tenho amelhornamorada do mundo e arredores, sabias ?
- A sério ? Deve ser bué fixe. - ironizou Maria com um sorriso.
- Hmhm. É linda, carinhosa e o coração ? Tem um coração de ouro! É fantástica! Amo-a, amo-a de verdade. Nem na minha vida de mulherengo amei alguém mais do queaamo a ela.
Maria corou e respondeu com beijos, beijos cheios de paixão. Depois levantou-se e foi à sua mochilabuscar um pequeno embrulho. Estendeu-o na direção de Salvador.
- Feliz aniversário, Grande Salvador.
- Para mim ? Oh, mas não era preciso!
- Shiiu. Abre e vê se gostas.
Salvador abriu eviu as palhetas.
- Ahah, estava mesmo a precisar. Adorei, amor. Muito obrigada!
- Eu sabia.
Dentro do pequeno embrulho estava ainda um pequenobilhete. Salvador pegou nele e leu:
Meu amor,
«O meu coração é como uma máquina de escrever, basta tocar para entrar na história.» Etu tocaste, tocaste com toda aforça e encanto. Mais do que entrar na história, dominaste-a, deste-lhe cor e vida. Epor tudoisso e muito mais,um grande obrigada melhor namorado domundo Amo-te.
(a tua) Maria

 
- Oh princesa, deixas-me sem palavras.

Savador e Maria pareciam feitoum para o outro. Nutriam um amor simples mas de uma beleza e pureza que fazia inveja a muitos...